Extraído de: Reuters Brasil  - 28 de Dezembro de 2009

Lula sancionará política climática com três vetos, diz Minc

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá sancionar a lei que estabelece a política nacional de combate ao aquecimento global com três vetos, afirmou nesta segunda-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

A Presidência informou que Lula sancionará a lei na terça-feira e que será publicada em uma edição extraordinária do Diário Oficial no mesmo dia.

Minc disse que os ministérios sugeriram ao presidente dez vetos, mas Lula descartou sete dessas propostas. O presidente manteve a decisão de o Brasil ter metas quantificáveis e verificáveis de redução de gases de efeito estufa.

"Foram mantidas as metas, o que é o mais importante. O Brasil passa a ter uma política forte de mudanças climáticas", disse Minc a jornalistas depois de participar de reunião sobre o tema com o presidente Lula e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

"Vamos cumprir as metas integralmente. Não interessa que Copenhague não tenha ocorrido tão bem quanto a gente gostaria", afirmou o ministro, referindo-se à conferência do clima promovida pelas Nações Unidas na Dinamarca há dez dias.

Um veto atendido pelo presidente Lula foi proposto pelo Ministério de Minas e Energia e diz respeito à previsão de abandono de fontes fósseis, como o petróleo.

"É diferente estimular fontes alternativas e simplesmente abandonar o uso de fontes fósseis", ponderou Minc.

Outro ponto vetado pelo presidente previa restringir apenas às usinas hidrelétricas de pequeno porte as políticas de estímulo governamentais.

Foi vetado ainda, por sugestão da Advocacia Geral da União, a proibição de contingenciamento de recursos para o combate às mudanças climáticas. Segundo o Ministério da Fazenda e a AGU, o dispositivo teria de ser criado por meio de lei complementar.

O projeto, aprovado pelo Senado em 25 de novembro, fixa em lei o compromisso do Brasil de reduzir, até 2020, as emissões projetadas de gases do efeito estufa, dentro do limite que vai de 36,1 por cento a 38,9 por cento.

Para isso, será publicado um decreto presidencial, em que estarão especificadas as iniciativas que cada setor da economia deverá tomar para que a redução nas emissões de gases do efeito estufa seja alcançada.

O ministro do Meio Ambiente disse que Lula pediu aos ministros que discutam o tema com a sociedade e governos estaduais a partir de janeiro.

Entre os pedidos de veto que não foram atendidos por Lula, segundo Minc, está a decisão do presidente de manter na lei o artigo que prevê a expansão de áreas protegidas. De acordo com o ministro, havia uma preocupação em setores do governo de que o artigo prejudicasse algumas atividades econômicas.

Também foram mantidos os artigos que dão preferência em licitações e concorrências públicas a projetos que tenham mais eficiência no uso de energia e água.

"Não adianta você ter uma meta geral de clima se os instrumentos financeiros e econômicos não traduzirem isso", destacou Minc.

(Reportagem de Fernando Exman)

Autor: (Reportagem de Fernando Exman)

Comentários (5)

MORGANA LEÃO 29 de Dezembro de 2009 » postado em notícia relacionada

Gostaria de saber se esta lei brasileira que reza sobre as mudanças climáticas prevê incentivos à energias aletrnativas como a solar, eólica, biogás a partir de resíduos sólidos orgânicos - itens fartos neste país. Aguardemos...

Adelson 30 de Dezembro de 2009 - 14:20:55

Bela observação Morgana.

Antônio 30 de Dezembro de 2009 - 16:57:10

Embora seja o núcleo da questão, o uso de energias alternativas, não acredito que serão a ênfase da nova lei. Mas sim o fim do desmatamento e a criação de várias unidades de conservação. As ações do MMA se concentraram, até então, neste sentido. É mais fácil, simplesmente criam várias unidades de conservação e as abandonam, ainda com vários núcleos populacionais no seu interior, como é o caso da maioria delas. Sequer indenizam os proprietários particulares inseridos, por decreto, nestes parques de papel.

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Carlos Magno de... 31 de Dezembro de 2009 » postado em notícia relacionada

É claro que esta lei tem tudo para não pegar. Parece que há simplesmente um jogo para a platéia.Qual a penalidade para quem não cumprir?Haverá algum processo especial com julgamento rápido e justiça especializada só para quem descumprir? Alguém poderá ser preso até o julgamento?Haverá alguma previsão de cobrança rápida por alguma multa porventura aplicada?Vamos aguardar.

REMO MOREIRA 31 de Dezembro de 2009 - 17:09:25

Tudo isso será regulmentado em decreto, Carlos Magno. A lei, quando promulgada, dá as diretrizes, mas quem desce às minúcias de como a mesma será implementada é o decreto reglamentador (Consituição Federal, art. 81, IV).

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